71- Esquecido em Belfast


Irlanda do Norte, década de 70. Conflito entre católico e protestantes literalmente pegando fogo. Soldados ingleses treinados desembarcam para um operação em Belfast. Dá o maior rebú e um se perde da tropa e fica por lá.
Eu gosto de filme de exército e de guerra? Não. Filmes deste tipo, para mim, precisar extrapolar o gênero e ser algo mais para eu gostar. Agora, este é um filme de guerra e exército? Não. Este é um filme sobre um soldado da tropa britânica é deixado na Belfast dos anos 70 com o conflito entre ingleses, irlandeses e o IRA comendo solto. Algo assim como um Esqueceram de Mim adulto, sombrio e realista.
Esta é uma das vantagens do filme ser inglês e não norte americano. O que falta em heroísmo e bravura indômita, sobra em realidade, crueza de dúvidas sobre quem está certo.
Lógico que eu me perdi pq tinha os católicos, tinha os protestantes, tinha os irlandeses, tinha o Ira, tinha os irlandeses protestantes, tinha os irlandeses católicos. Tinha os da resistência irlandesa, os que eram ingleses mas infiltrados na resistencia irlandesa. Tinha os que os ingleses achavam que eram traíras dos irlandeses mas na verdade eles eram traíras dos ingleses. Óbvio então que é melhor na me perguntar detalhes históricos e nem quem era quem no filme.
O que eu posso dizer é que o filme é tenso. Tem uma perseguição a pé, gravada com steadycam desregulada para tremer um pouco aprendida com Kubrick do Nascido pra Matar, que é muito tensa. O filme é cruel, não doura pílula nenhuma e, com isso, faz com que a gente sinta a idiotice dos conflitos através da banalidade e do cotidiano de quem vive no meio de uma guerra civil. Forte, muito forte, quase um documentário em alguns momentos. Tem uma das mortes mais impactantes do cinema justamente por conta desta maneira documental de filmar. Garanto que você vai fazer tudo neste filme, menos dormir. 

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