
Este filme é um filme peculiar. Primeiro pq, segundo Sergio Kulpas que leu o original, é uma história inadaptável para cinema e o diretor conseguiu adaptar. Segundo pq mistura live action e animação tradicional. Terceiro pq não é uma animação para crianças. A história é densa e cheia de profundidades, mesmo que você não mergulhe fundo sempre tem um mais fundo pra se ir, se vc quiser.
Por conta de tudo isso, é um filme dificil de ser recomendado sem que parte das pessoas para quem eu recomendar venha depois reclamar que achou o filme uma bosta. Não dá para saber, não é um filme certeiro. Não é um doce feito de chocolate e chantilly. O que vc vai achar do filme vai depender muito do tipo de interação que vc desenvolver com ele.
Mas todos os filmes não sao assim? São, mas a maioria deles possuem alguns truques que garantem esta interação.
O Congresso arrisca em vários sentidos, além dos citados acima, arrisca na narrativa, arrisca na metalinguagem e, por isso, ou melhor, e só por isso já seria um filme para ser visto.
Eu, particularmente, fiquei muito tocado pelo filme, pela sua mistura de realidade alternativa estilo matrix com o passar de muitos anos que geram uma melancolia como eu senti em A.I. de Steven Spielberg.
Robin Wright faz o papel de uma atriz chamada Robin Wright que fez muito sucesso no começo de sua carreira, mas que depois, por escolhas erradas e por ter tido um filho com uma sindrome rara, vai se afastando cada vez mais da carreira.
Depois de muito tempo afastada, ela recebe uma proposta da produtora de filmes de ser plenamente digitalizada e ser usada pelo estudio para filmes. Independente da passagem do tempo, sua imagem permanecerá a mesma e poderá ser usada da maneira que o estudio quiser.
O interessante disso tudo é que essa história da atriz do filme é a mesma da atriz Robin da nossa vida real, inclusive de ter um filho com uma sindrome. Quando o filme foi feito, acho que 2013, Robin vivia mesmo uma fase de reclusao e ostracismo por conta das razões que o empresário dela cita no filme. Lembrando que ela só voltou a fazer sucesso como protagonista de House of Cards que foi lançado depois deste filme.
Assim, neste filme peculiar, temos esta mistura de realidades, a atriz Robin Wright do “nosso” mundo interpreta no filme ela mesmo em carne e osso até o momento que ela passa a viver numa realidade alternativa numa versão animada de si mesmo.
Existem mais desdobramentos, mas mais nao falo aqui. O final é lindo, quer dizer, eu achei lindo, então nao esperem muito do meu adjetivo lindo. Afinal, reviver uma vida inteira como outra pessoa para encontrá-la não deixa de ser uma poderosa forma de amor.
Não é um filme fácil. Mas a vida também não.
Bonus Track: a trilha é do max richter
