Sementes de Mostarda Salvam Minha Vida


Será que as coisas que a gnt pensa que as pessoas pensam, elas pensam mesmo?
Já estou em casa e ja levei o joca e ja passei na farmacia pra comprar band aid, e descobri que tem um a prova d’agua. Comprei o normal e o a prova dágua e o normal vou deixar pra claudia. Vou esconder os impermeáveis, vingança e mágoa pq ela usou todos os meus do darth vader.
Comprei band aid pra colocar no corte do meu dedo feito ontem a noite, antes de dormir. Cortei o dedo procurando Bpantol pra claudia passar na bolha que formou no pé por ela ter vindo a pé uns 2 km, ja que o alcool do átila acabou no meio do caminho da volta de ter ido levar o nicolau na aula de guitarra as oito da noite de ontem. Saímos pra resgatar o uno, passamos num posto, comprei alcool e um galão pra levar com direito a restituição do dinheiro se devolvesse o galão.
Deu tudo certo, foi bem rápido, era falta de comida mesmo o problema do átila. Ele tá com o medidor de tanque quebrado e eu calculo o combustível por sistemas empíricos ligados ao calendário gregoriano e a altura do sol nos solstícios. Eu uso este carro 98% do tempo, e o gás foi acabar justo nas mãos dela, no meio da noite e de ruas pouco iluminadas.
De qualquer maneira, as sementes de mostarda apertadas em pontos de raiva e ansiedade na orelha da claudia salvaram minha vida. Ela chegou em casa com os pés cansados mas calma e, segundo palavras textuais dela, nem em pensamento ela quis me matar e dar na minha cara. Ufa. Obrigado sementinhas.
Depois que passou tudo, eu consegui ver que estava meio desanimado e cansado e com sono pq tinha saído de manha, ontem pra dar aulas e fazer o exame de contra prova de que estava tudo bem com meu coração. Justamente fazer de novo, e no mesmo lugar, o exame em que o problema realmente apareceu, uma esteira com ecocardiograma.
Acordei no ontem antes do exame e já engoli um frontal. E na noite antes de dormir desta manhã de ontem em que acordei e tomei um frontal, minha irmã e meu cunhado de botucatu estavam aqui e fazia quase um ano q eles não vinham pra cá. Daí, minha irmã daqui juntou todos na casa dela e teve muitas coisas de comer e eu levei o meu melhor arroz doce do mundo. Lá, uma ninhada de filhos e primos dos filhos avançaram sobre a travessa cheia e dizimaram o coitado do arroz como um bando de gafanhotos next generation. Sim, pq esta geração de gafanhotos já é filha da geração que deu origem aa série q já dizimava os doces da minha mãe, vó deles.
Então, mesmo nesta noite antes da noite de ontem, eu já estava me sentindo meio assim, normal este exame, está tudo bem, mas tinha um certo traumatismo craniano psicológico de fazer o exame no mesmo lugar que deu errado a primeira vez. Por mais que racionalizemos, Skinner faz sua parte com louvor, sempre.
Por isso, então, quando no meio do meu lanche no intervalo das aulas, na escola, ontem de manhã, eu disse, Olha gnts, tenho que confessar uma coisa pra vcs, eu to meio medinho de fazer este exame, eu esperava uns É normal, fica deboa dos pessoal que estava por lá, e não um Ah, este é aquele exame que você faz esteira até desmaiar? Minha mãe fez e desmaiou.
Solidariedade não dói. Mas será que as coisas que a gente pensa que as pessoas pensam, elas pensam mesmo? Será que esta conexão entre o meu assunto e o assunto do outro que eu coloco tantos significados, existe mesmo fora de mim? Quando um aluno me perguntou se Leonardo pensou mesmo em colocar a cabeça de cristo no meio da janela entre o céu e a terra, fazendo convergir todas as linhas para o ponto de fuga localizado na cabeça dele, ele pensou mesmo nisso? Ou somos nós que pensamos que ele pensou?
Expliquei que mesmo que ele não tivesse pensado, ele pensou pq vivia um espírito de época, um zeitgeist, no caso o renascimento, que valorizava o humano colocando quase que colocando-o em pé de igualdade com o criador. Era uma época em que o ser humano começou a se achar o máximo, por isso, leonardo, mesmo que nao tenha sido consciente da parte dele, tudo que vemos e interpretamos nos quadros dele, foi feito dentro deste espírito de época e, portanto, ele pensou. E se não pensou, a época dele pensou por ele.
E nós? Agora, aqui, hoje. Será que os individuos possuem esta consciencia individual sobre o fluir do coletivo que vivemos no presente ou somos nós que conseguimos ver no outro individualidades que fazem parte do espírito de nossa época atual mas ele mesmo não vê?
Isso tudo parece uma viagem (e é), mas quero dizer que pretendo chegar em um destino com ela. Quero saber se o que achamos do outro diferente de nós, ele também acha sobre si mesmo, só que acha q é o certo a ser feito. Esta questão é muito importante em ser solucionada, porque a conversa, o diálogo, o dar voltas juntos só pode acontecer se estivermos no mesmo domínio de ações, mesmo que em pontos de pensamentos diferentes. Uma coisa é achar q ue o outro pensa da maneira q pensa e tb acha errado pensar desta maneira. Outra coisa é pensar que o outro pensa do jeito que pensa e acha certo pensar assim. Isso vai definir como poderemos conversar sobre tudo isso.
O humanismo que Leonardo começou, desembocou no individualismo que hoje nos faz nao ver nada que nao seja o nosso eu. É estar numa sala de espera e entrar uma pessoa, olhar para o aparelho de ar condicionado e falar, Não vou ficar aqui pq tem ar condicionado! E nem perceber que ele está desligado. É voce confessar que está cagando de medo de refazer um exame e alguém te dizer que tem gente que desmaia de tanto se esforçar.
O médico termina o eco de esforço e me diz, Está tudo muito bem. Perfeito. E ainda completa, É bom dar noticias boas! E eu digo, É bom dar e receber notícias boas. Leonardo, seu egocêntrico, nem tudo tá perdido. Solidariedade não dói. Mas, ver o outro como ele realmente é pode doer, ou não.

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